Experiências docentes em TI aplicada à Biblioteconomia

Na Universidade Federal do Ceará, sou responsável pelas disciplinas de Tecnologias da Informação do Curso de Biblioteconomia. Ministro Informática Aplicada à Biblioteconomia e Ciência da Informação, Tecnologias da Informação II e Banco de Dados para Unidades de Informação. Na disciplina Informática Aplicada em BI e CI, trabalho fundamentos, padrões, protocolos e tipos de softwares voltados à área, enfatizando os conceitos formulados em meu TCC sobre softwares livres em bibliotecas.

Os fundamentos são referentes aos conceitos voltados aos requisitos para seleção, avaliação e implantação de softwares em bibliotecas, além da discussão da automação e informática documentária, que por sinal é uma grande problemática no que diz respeito a documentação, já que a produção em português é escassa e o que existe está muito defasado (em breve publicarei um post sobre esta questão) e é sabido que a maioria dos alunos de gradução não lêem artigos em outro idioma. Os padrões e protocolos abordados são basicamente aquelas especifições destinadas ao intercâmbio, interoperabilidade, “migração” e conectividade, como o Z39.50 e formatos MARC. Enfoco também alguns padrões de metadados como Bibtex, EndNote, RIS, Dublin Core e OAI-PMH, estes mais voltados às aplicações para gerenciamento de bibliografias e bibliotecas digitais. Gostaria de abordar também as especificações MODS, METS, LOM, IMS e SKOS, mas creio que para graduação é meio complicado. Como principais softwares para área, enfoco os Sistemas de Gerenciamento de Bibliotecas, Ferramentas para Bibliotecas Digitais/Repositórios Institucionais e Sistemas de Gerenciamento de Conteúdo. Estas aplicações foram identificadas em meu TCC como necessárias para as bibliotecas na atualidade, claro que existem outras como por exemplo para gerenciamento de tesauros e bibliografias.

Os Sistemas de Gerenciamento de Bibliotecas são destinados à automação do processo de catalogação, circulação e todo o gerenciamento do material bibliográfico. Manuseamos o OpenBiblio, por enquanto devido ao atraso no processo da minha contratação, o que acarretou o início tardio da disciplina, mas pretendo utilizar o PMB, Emilda, Gnuteca e Koha. As ferramentas para BD e repositórios servem para criação de um acervo digital, necessário para publicação de relatórios técnicos, teses, dissertações e artigos, por exemplo, neste caso optei por utilizar o GNU E-prints, Dspace, TEDE (eca!) e o OJS, estas também não foram manuseadas, apenas apresentadas. Os Sistemas de Gerenciamento de Conteúdo são para criação de blog, web sites e portais corporativos paras bibliotecas, são eles: Joomla, Drupal, WordPress e Brushtail. Brincamos com o WordPress e Joomla, simulando blogs e sites voltados à Biblioteconomia. Apresentei também o Tematres, Aigaion, Bibsonomy e CiteUlike.

Na disciplina Tecnologias da Informação II, utilizamos também esta abordagem, todavia, centralizamos mais as discusões sobre aspectos referentes à Web e tecnologias emergentes, como recursos da Web 2.0 (Biblioteca 2.0), questões da propriedade intelectual na Internet, Web Semântica, novas formas de organização do conhecimento, Bibliotecas Digitais, ferramentas de busca, segurança da informação e softwares livres.

Na disciplina Banco de Dados para U.I, trabalhamos basicamente conteúdos clássicos da área de banco de dados, nesta não pude inovar muito, apenas tecer comentários sobre a importância de criar um banco de dados para gerenciar algo como um acervo de fotos, músicas, pequenas bibliografias, etc. , assim como explicar os principais SGDBs, modelagem de dados e projeto de criação de banco de dados relacionais. Usamos o MySQL e Access (eca!) e também mostrei o uso do MySQL para instalação do OpenBiblio e ferramentas como a MediaWiki.

Como muitos alunos são usuários de orkut, MSN, google, blogs e outras aplicações, (eles ficam maravilhados quando mostro os recursos do Flickr e Del.icio.us) creio que o interessante é criar uma consciência que a experiência no manuseio destas tecnologias funcionam como instrumentos para produção, gestão de conteúdos e comunicação, a fim de instrumentalizar os aprendizes à utilizarem os recursos disponíveis como práticas biblioteconômicas que de certa forma quebram o conceitos clássicos da área. Contudo, não é necessário perder o foco central da área, que é utilizar as TIs para publicação, análise, avaliação, seleção e disseminação de informação na contemporaneidade, criando assim uma rede sustentada pela inteligência coletiva e tendo com princípio básico a colaboração.

Depois irei publicar a experiência com as avaliações nestas disciplinas.



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