Políticas públicas de informatização em bibliotecas

Lendo a obra Socialização do Conhecimento no Espaço das Bibliotecas Universitárias de Izabel Carvalho, que expõe uma pesquisa de campo sobre a TI em bibliotecas universitárias, pude perceber o quanto o discurso de socialização do conhecimento em bibliotecas e na biblioteconomia, é contraditório e falho. Não pretendo fazer uma resenha da obra e muito menos uma análise aprofundada sobre o tema, quero apenas relatar um único ponto que ajuda a refletir sobre tal questão: a não-socialização do conhecimento.

A autora pesquisou de forma qualitativa a introdução da TI em bibliotecas universitárias sobre o prima teórico de autores como Levy, Castells, Castoriadis, dentro outros. A literatura discute os aspectos da nova economia de redes, baseada na troca, na interatividade, na criatividade e sobre uma sociedade marcada pelo uso de tecnologia e novas formas de organização do trabalho, demonstrando a responsabilidade social já que pressupõe a cooperação dos trabalhadores como produtores e usuários de informação.

Já a experiência da autora no mapeamento das políticas de informatização das bibliotecas, constatou que 53,5% dispõe de algum tipo de documentação que consolida tal política, que de certa forma foi surpreendente já que muitos profissionais não desenvolvem tais planos em sua prática profissional. Como estratégia metodológica, a autora solicitou tais documentos, todavia, estes foram negados, representando 56,5% dos 23 respondentes. Ora penso que a negação de um documento além de prejudicar a análise do presente objeto, contribui de forma significativa para a consolidação de uma prática proprietária. E isto soa muito contraditório para bibliotecas que prestam serviços à sociedade. As bibliotecas pesquisadas são de instituições federais de ensino superior e as funções da universidade são sustentadas pelo ensino, pesquisa e extensão. Apreendemos que estes eixos fornecem a concepção dos valor social e científico que a academia possui, nesta caso, a biblioteca universitária reproduz estes valores, no intuito de prover serviços e produtos que efetivam o acesso ao conhecimento, enfatizando às necessidade intelectuais da sociedade.

Assim, tal ponto ilustra que não possuímos uma política pública de informatização em bibliotecas universitárias. Pensei até em pesquisar algo sobre essa temática em Anais do SNBU para fundamentar o post, mas creio que isto pode ser feito a posteriori. Em suma, o tripé: Bibliotecas Universitárias, Tecnologia da Informação e Socialização do Conhecimento está totalmente dissociado, muitas equipes se apropriam de algo que pode ser extremamente relevante para sociabilizar o conhecimento e introduzir as bibliotecas no contexto tecnológico. Como exemplo, uma política de informatização disponibilizada no Web Site de um biblioteca, e o mais interessante é que hoje temos tecnologia para disponibilizar uma grande política de informatização nos moldes coletivos, basta implementarmos um Wiki para podermos ter um documento de referência que muito ajudaria bibliotecas que queiram planejar suas políticas de informatização. Essa apropriação do conhecimento é só mais um exemplo de atraso no pensamento bibliotecário.



One Comment to “Políticas públicas de informatização em bibliotecas”

  1. Roosewelt Lins » Cultura Livre em Bibliotecas Says:

    [...] Apesar da moda em torno do conceito de cultura livre e colaborativa, se formos pensar a colaboração é uma noção não muito distante no campo da biblioteconomia. O intercâmbio de acervos bibliográficos, catálogos cooperativos, comutação bibliográfica, padrões de interoperabilidade, iniciativa de arquivos abertos e implementação de repositórios digitais, são exemplos de recursos que tem como eixo central o compartilhamento da informação. Diversas instituições colaboram para formação de uma rede de troca de informações, quer seja através de consórcios ou sistemas bibliográficos integrados. Ferramentas baseadas na filosofia do software livre vem sendo amplamente utilizadas em bibliotecas, quer seja um sistema de gerenciamento de bibliotecas, ferramentas para repositórios digitais ou um sistema de gerenciamento de conteúdo, dentre outros. Se tomarmos como evidência o papel da biblioteca pública, veremos que esta sempre esteve associada a socialização do saber registrado, assim como também ações que estimulem a produção deste saber. Então tomemos estes pontos como parâmetro e podemos afirmar que a biblioteconomia já trabalha com práticas colaborativas e manifestações livres para disseminação de documentos e democratização do conhecimento. Esta afirmação é tendenciosa e delicada, já que a biblioteconomia tem uma forte tradição técnica, pouca discussão social e muita prática proprietária (FRBR, RDA e padrões, Políticas públicas de informatização em bibliotecas). [...]

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