
Recebi, via lista da ANCIB, a notificação sobre a tradução para o português dos Requisitos Funcionais para Registros Bibliográficos - FRBR. A tradução foi realizada pela BN de Portugal. Foi informado também que está disponível o volume 53 da “Series on Bibliographic Control” editado pela IFLA e capítulos da RDA para revisão pública, aberta até 2 de fevereiro de 2009.
O curioso disso tudo é que estes padrões são para intercâmbio bibliográfico, logo deveriam funcionar de forma aberta, já que comunidade opina e solicita algumas revisões. Sei que o conceito de padrão aberto não está associado ao custo material do mesmo, contudo, vejo que deveriam está acessíveis publicamente. O que acontece é que para utilizarmos estes padrões, devemos adquirir a documentação impressa, o valor de troca, material, pode talvez, representar significativamente algumas problemáticas, como por exemplo o não-uso destes padrões internacionais, estímulo a cópia não-autorizada, uso de normas antigas, dependência informacional e outros.
Já pensou se quando fôssemos criar um documento Web, ou fazer um programa em rede, teríamos que pagar para obter a documentação do XHTML, CSS, ou usar o protocolo HTTP ou FTP? Talvez não teríamos tanto uso da Internet, já que esta é aberta e essas documentações estão disponíveis publicamente, justamente para serem usadas. Na biblioteconomia você não encontra o ACCR2 em pdf, ou a CDD, encontra? Em suma, creio que modelos de referências, padrões, protocolos deveriam todos serem amplamente abertos, já que servem para comunicação, um padrão comum para interoperabilidade. A lógica é a seguinte: se formos pensar, o protocolo lingüístico verbal que usamos não é pago, e nem precisamos de uma licença para usarmos, já pensou se tivéssemos também que pagar ou pedir permissão para usar a oralidade, ou uma língua como o Inglês? Na biblioteconomia todas essas normas, códigos, etc. são proprietários, infelizmente. Muitas organizações que militam a disseminação da informação, criam idéias juntamente com a comunidade de pesquisadores e profissionais para padronizar e depois se apropriam destas idéias. Aquela biblioteca ou curso de biblioteconomia que tem que usar um código de catalogação ou uma norma documental, tem que pagar ou pedir uma doação para ter acesso ao mesmo. Mais um exemplo do que chamamos de restrição para circulação de bens imateriais.
[...] tem uma forte tradição técnica, pouca discussão social e muita prática proprietária (FRBR, RDA e padrões, Políticas públicas de informatização em [...]